Os Legados do 22 de Setembro

Av. Graça Aranha, Centro do Rio, 22 de setembro de 2010 às 14hs.
A cada ano o dia 22 de Setembro vem sendo comemorado em mais cidades, e por mais segmentos da sociedade.
Data de reflexão, tem sido um bom pretexto para que a cidade do Rio de Janeiro deixe alguma marca que permaneça além deste dia.
Em 2009 foram lançadas as Zonas 30 de Copacabana e em 2010 nove novas Zonas 30 foram implantadas, abrindo espaço para um convívio mais harmônico em diferentes pontos da cidade.
O sucesso da edição Carioca também se percebe no Centro da Cidade. As ruas da Alfandega e Buenos Aires, áreas onde o estacionamento foi proibido no dia 22, serão agora permanentes, dando sequencia à reflexão do Dia Mundial sem Carros.
A cada ano mais espaço público, mais reflexão sobre mobilidade e mais cidadãos entendem e adotam as idéias experimentadas neste dia para que um dia não seja mais necessário fazer 'um dia sem carro' pois todos os dias serão ótimos para se viver nas cidades curtindo a pleno o direito de ir e vir.
A pequena grande festa das ruas

O Natal é importante principalmente por ser algo que acontece ao redor do mundo, ao mesmo tempo e com o mesmo pensamento em comum. A data ganha um significado ainda maior pela comunhão cristã ao redor do mundo. De maneira análoga, o Dia Mundial sem Carro torna-se a cada ano um ponto de inflexão no calendário. É hora de lançar campanhas de incentivo, de educação, projetos pilotos e principalmente aumentar o burburinho em torno da necessidade de revermos a mobilidade urbana ao redor do mundo.
Mas uma festa torna-se grande e universal com encontros, com conversas na praça, com ciclistas que experimentam pedalar ao trabalho para fazer parte da festa.
Apesar disso, é comum circular a opinião de que houve "baixa adesão". E a hora dos factóides, com autoridades fotografadas no transporte público ou em cima de uma bicicleta. Tudo vale para a festa, mas o que mais conta são os resultados para além do dia 22 de setembro.
Seja como for, com novatos, festa e factóides, o Dia Mundial sem Carro é mais uma oportunidade em que a bicicleta se mostra como um excelente instrumento de democracia franca. Maneira de conhecer gentes dispares que se respeitam na diferença.
Até ano que vem, com mais bicicletas, pedestres e transporte público. Um dia de cada vez.
Saiba mais:
- 22 de setembro no blog.
- Dia sem carro no Rio, site oficial
- Dia Sem Carro no Rio tem 105 mil viagens a menos em automóveis (G1)
- DMSC 2010 na Bicicletada-SP
Convocação para o Dia Mundial sem Carros
A próxima quarta feira é o Dia Mundial sem Carros. Junte-se à millhões de pessoas que ao redor do mundo estarão nesta data experimentando novas formas de se deslocar por suas cidades, buscando uma solução que se adapte ao seu dia a dia para que no futuro todos os dia sejam dias sem carros.
No Rio a semana do Dia sem Carros começou quente; um passeio com milhares de ciclistas abriu o domingo no Aterro do Flamengo, à tarde foi a vez do Passeio Completo, pedalada "Cycle Chic" carioca , fazer sua edição também homenageando a data.
O site oficial do Dia sem Carros no Rio também entrou no ar neste domingo, confira aqui.
No dia 22 de setembro a Transporte Ativo, em parceira com a Prefeitura do Rio, Brasil 1 e ITDP, estará no Buraco do Lume, no Centro, e na Praça Edmundo Rego, no Grajaú, com dicas sobre mobilidade urbana, educação cicloviária, manutenção, uso adequado de sua bicicleta e muito mais.
Nova Contagem de Ciclistas na Paulista

Acontece nesse momento mais uma contagem de ciclistas em São Paulo. Dessa vez a escolhida foi a Avenida Paulista.
O laventamento, que está sendo realizado pela Ciclocidade, tem como objetivo ajudar a planejar políticas públicas em favor dos ciclistas urbanos de São Paulo. Está sendo realizado na Avenida Paulista das 6h às 20h e os resultados serão divulgados na semana do Dia Sem Carro.
Veja os resultados de outra contagem realizada pela Ciclocidade.
Mais sobre contagens
Contagens no blog
Mais uma vez Rio de Janeiro

As Zonas 30km, um conceito relativamente novo de "acalmia de trânsito", cheios de geometrias, desenhos e normas, começa a se simplificar e se tornar mas prático e popular.
A simplicidade de uma via de 30km/h necessita menos sinalização, menor manutenção, gera maior segurança e a simples regulamentação desta velocidade para a via já traz tudo isso embutido.
Neste aspecto o Rio de Janeiro se mostra em dia com as tendências mundiais. Após o sucesso da implantação das Z30 em Copacabana, em 22 de setembro de 2009, muitas regiões da cidade pediram por sistemas semelhantes e já no próximo 22 de setembro nove novas Zonas 30 serão implantadas em diferentes bairros, da Zona Oeste à Zona Sul; Ipanema, Grajaú, Del Castilho, Anchieta, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Jacarépagua e Ilha do Governador serão os bairros brindados com a novidade.
Que a tendência permaneça para que num futuro próximo tenhamos uma cidade com todas as suas vias residenciais com velocidades limitadas à escala humana.

Veja também:
Um Número Mágico
Devagar e Sempre
Melhor a cada Por do Sol
Acalmia de Trânsito
Mais sobre o dia 22 de setembro 2010, no Rio de Janeiro.
E as bicicletas dominam as curtas distâncias

A partir dos dados obtidos no Desafio Intermodal Carioca 2010 construímos a tabela abaixo, onde fica clara a superioridade das bicicletas sobre outros modais em distancias curtas.
Nas longas o ideal é mesmo a integração dela com o Transporte Público, confira no recém lançado relatório do V Desafio Intermodal Carioca.
E se você está preocupado com o tempo, escolha aqui a melhor forma de se deslocar no Rio de Janeiro.

Tempos obtidos em 2 de setembro de 2010 no Rio de Janeiro, partindo às 18 horas. Os tempos considerados são da viagem completa, do ponto A ao ponto B, incluídos os deslocamentos de A até o modo de transporte e do modo de transporte até B, saindo e chegando como pedestres.
O Rio de Janeiro cada vez mais lindo.

O Rio vem se mostrando a verdadeira capital da bicicleta no país. Os últimos meses mostram bem isso.
Agosto começou com a chegada do Tour do Rio no Aterro do Flamengo e houveram vários passeios de grande porte, como Sul América Night Bikers, o Pedala Tijuca entre outros e ainda os passeios noturnos diários que rolam pela cidade. Acontecem também passeios culturais, e tudo isto tem gerado muitas matérias de destaque na mídia sobre diferentes assuntos envolvendo as bicicletas.
A Prefeitura apresentou seus planos e começa a licitar novas ciclovias integradas ao Transporte Público em todas as regiões da cidade.
Além de passeios e competições de grande porte, setembro traz também o Dia Mundial sem Carros com um bom foco nas bicicletas.
Os cariocas cada vez mais usam suas bicicletas para variados tipos de deslocamentos. A sociedade civil tem boa representatividade junto às empresas e à administração da cidade. As bicicletas públicas batem recordes de viagens, o Metrô vem aumentando o número de bicicletários nas estações e recentemente liberou o transporte de bicicletas também aos sábados. Por sua vez, empresas começam a despertar para o uso da bicicleta.
Campanhas educativas, seminários e workshops sobre o tema também tem sido comuns, o que mostra que a cidade vem realmente se firmando como a capital das bicicletas no país.

Bicicleta entrega o que promete: Liberdade
Nos tempos de mudanças velozes em que vivemos, a bicicleta é o único veículo que cumpre tudo aquilo que promete. A velocidade que vale mais é a média, nada de grandes arrancadas entre cada semáforo ou no intervalo dos congestionamentos. O ciclistas urbano é o único capaz de ir e vir constante e livre.
Chega setembro e mais uma vez desafios intermodais são promovidos Brasil afora. O Rio de Janeiro teve sua quinta edição, Curitiba a quarta (Resultado do IV Desafio Intermodal de Curitiba). A conclusão é sempre uma só, a bicicleta cumpre tudo aquilo que promete.
Para além dos desafios, é no dia a dia que o ciclista comprova os melhores resultados obtidos pelo melhor veículo de transporte jamais inventado. Eficiência, alegria, prazer, liberdade, etc. Mas podemos focar apenas na noção de liberdade.
Mesmo em um mundo sem fronteiras a maioria absoluta dos habitantes das cidades restringe sua vida a uma distância perfeita para ser percorrida de bicicleta, os famosos "até 7 km". Ainda assim, os desafios intermodais comprovam a eficiência da bicicleta para além da distância ideal. No Rio de Janeiro, por exemplo, foram aproxidamente 15 km.
Essa liberdade cotidiana só a bicicleta é capaz de cumprir. Por ser individual é capaz de realizar trajetos de acordo com a escolha do usuário. Por ser pequena, permite transitar livremente mesmo durante congestionamentos motorizados.
Promover o uso da bicicleta é entregar à população um anseio ancestral por percorrer distâncias. Mas a liberdade da bicicleta é derivada do caminhar e beneficiar pedestres é necessidade paralela de uma cidade amiga da bicicleta.
Mais liberdade em bicicleta:
- Símbolo de Liberdade
- A Liberdade da Propulsão Humana
- Vida, Liberdade e a Busca pela Felicidade
- A Revolução Será Pedalada
V Desafio Intermodal Carioca

Mais um ano, mais um Desafio Intermodal Carioca e mais surpresas. Desta vez a integração Metrô Pedestre foi mais rápida que Metrô Ônibus; Metrô Patins completou o percurso em terceiro e o carro praticamente empatou com o ônibus.
Nesta edição contamos com apoio do ITDP e a participação da Secretaria Estadual de Transportes: duas pessoas da equipe do projeto Rio o Estado da Bicicleta foram de Carro, e o Coordenador do projeto, Mauro Tavares, participou na integração Metrô Bicicleta Pública, mas não completou. Saiba mais conferindo os resultados abaixo e em breve no relatório completo.
Moto: 49 min
Metrô + bicicleta: 49 min
Metrô + patins: 57 min
Bicicleta Masc.: 63 min
Metrô + Pedestre: 64 min
Metrô + ônbus Integração: 67 min
Metrô + ônibus Comum: 70 min
Táxi: 72 min
Bicicleta Fem.: 74 min
Bicicleta Ciclovia 1: 78min
Ônibus: 84 min
Carro: 86 min
Bicicleta ciclovia II: 97 min
Pedestre: 122 min
Metrô Bicicleta Pública: Não havia bicicleta disponível na estação.

Conheça o percurso da Bicicleta, do Pedestre e do Carro.
Álbum de fotos
Blog Recicloteca: A imobilidade no trânsito
O Globo: Em desafio de transportes, carro perdeu de bicicleta...
Valores democráticos nas ruas
As ruas são o espaço público por excelência, onde todos tem de circular. Já foi dito que a largura das calçadas são a medida da democracia de uma cidade. Afinal todos são pedestres, podendo transitoriamente estar de bicicleta, no transporte público ou dentro de um automóvel particular. Curioso no entanto como a mobilidade é arena para debates em que a propriedade particular é posta acima de interesses públicos.
Vale traduzir para a realidade das ruas três principíos democráticos fundamentais:
- Liberdade de expressão
- Alternância de poder
- Pluraridade
As ruas devem poder garantir a todos que se manifestem livremente, falar o que pensam e ouvir a opinião dos outros em medo de represálias. Nas ruas isso implica que os meios de transporte maiores devem zelar pela segurança dos menores e todos pelo pedestre. Tal princípio já está previsto no CTB, vitória para a democracia.
Quando o mais forte tem o monopólio do uso da força sem alternância de poder, uma sociedade se engessa e não progride. Alternância de poder é adequar que diferentes fluxos tenham garantido o acesso seguro as vias. Em que cada um a seu tempo e respeitando a presença do outro, todos possam utilizar as ruas.
Cidades plurais são sempre melhores. Cidades onde existe uma enorme quantidade de opções de transporte e em que a escolha depende de cada um. O transporte individual, seja bicicleta, motocicleta ou automóvel, tem vantagens em relação ao transporte público, mas não podem orientar políticas públicas de mobilidade urbana.
Meios de transporte público diversificados e que sejam uma alternativa eficaz ao transporte individual são a melhor maneira de garantir que os cidadãos possam escolher a maneira como irão se deslocar. E que uma divisão heterogênea entre os diferentes modais seja possível.
Todos os princípios democráticos aplicáveis as ruas já estão previstos em lei. No entanto, a realidade prática ainda não contempla uma democracia efetiva. As pressões para adequar as cidades aos meios de transporte individuais e motorizados ainda seguem com um grande poder de influência. No entanto essa distorção histórica está também no curso de ser corrigida.
Para que as ruas possam efetivamente ser um espaço para todos. Independente da classe social, credo, ou meio de transporte escolhido.





