Ciclistas, quase Pedestres
Foto: Natalie Rios
Os legisladores que escreveram o Código de Trânsito (Lei 9.503/97) foram muito lúcidos quando estabeleceram que "o ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres" (Art. 68, § 1º).
A simples aplicação desta regra seria solução para diversos problemas de política cicloviária. Como exemplo, leis estaduais ou normas internas que proíbem o transporte de bicicletas em trens e metrôs estão em claro conflito com o Código de Trânsito.
Mais do que uma questão legal, o artigo revela o que todo ciclista sabe: em termos de mobilidade e liberdade da escolha de caminhos, a bicicleta está mais perto do pedestre que dos automóveis.
Se o planejamento urbano priorizasse o pedestre, os ciclistas também sairiam ganhando. Não se pode planejar para pedestres sem redução da velocidade dos carros e da limitação do seu fluxo. Estas medidas também são as mesmas que favorecem os ciclistas.
A Mobility eMagazine, edição outubro/dezembro 2009, publicou material produzido pela Arup Consulting Engineer, que sintetiza os primeiros passos necessários no planejamento urbano para pedestres e ciclistas.
A Transporte Ativo traduziu o check-list e o deixou disponível na biblioteca TA, para livre consulta. Confira aqui.
Bici-Polo e Família
Esse vídeo de 1938 mostra o Pato Donald ao descobrir a maneira diferente que seus sobrinhos jogavam polo... movidos a pedal. É para lembrar que em época de férias as crianças costumam soltar a imaginação nas brincadeiras com os novos presentes. Além disso o vídeo mostra também que a subcultura do polo jogado em bicicleta não é tão nova assim. Apesar da moda das fixas estar se alastrando e com ela esse novo esporte.
- Visto primeiro no Copenhagenize.com
Transporte ao Trabalho e ao Lazer
O Rio de Janeiro está a cada dia mais ciclável e mais tomado por ciclistas. Em meio ao clima natalino, férias e compras, os dois bicicletários de um shopping, completamente lotados.
A lei municipal que obriga shoppings e centros comerciais a terem infraestrutura para o estacionamento de bicicletas deixou de ser obrigação e é hoje necessidade para os centros de compras. Afinal clientes e funcionários precisam ter onde guardar suas magrelas. A tendência felizmente é que se abram cada vez mais portas, comodidades e facilidades para os ciclistas, reforçando as bicicletas como elemento na paisagem e trazendo todas as consequências positivas que isso tem para a cidade. Sejam, econômicas, socias ou ambientais.
Para as horas de lazer que não envolvem compras, o Rio de Janeiro também tem outros espaços privados com presença assídua de ciclistas. Em meio a uma ilha em Ipanema, o Clube Caiçaras a beira da Lagoa Rodrigo de Freitas.
As vagas para estacionar o automóvel nos arredores são limitadas e apertadas. Para os ciclistas, espaço exclusivo dentro do clube, com total segurança, tiquete de controle e vagas a vontade. Claro que em dia de sol, com fácil acesso por bicicleta, o bicicletário estava lotado.
Os cariocas cada vez mais constatam que também para as horas de lazer, a bicicleta é o melhor meio de transporte.
Presente de Natal

Papai Noel passou por aqui e deixou presentes para todas as meninas e todos os meninos que foram bons ciclistas durante o ano.
Gifs animados que podem ser baixados e usados livremente em blogs, sites, emails. De graça!

Por enquanto são 3 modelos, em 3 tamanhos diferentes. Em breve teremos mais. Confira aqui
Use. Divirta-se. Espalhe. Pedale!
Lições de Copenhague

O grande acordo da COP15 em Copenhague fracassou. Os líderes das nações ricas e pobres não chegaram a um consenso e nenhum tratado foi assinado. No entanto, medidas benéficas saíram da Cúpula do Clima dos Prefeitos (Mayor Climate Summit). Diversas autoridades municipais presentes reforçaram que o uso da bicicleta pode e deve fazer parte de políticas de diminuição das emissões de CO2 nas cidades. Afinal os transportes motorizados são o principal poluidor urbano. Tanto em escala local, quanto global.
O vice-prefeito do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Muniz, contou durante a cúpula que a cidade irá aumentar a infraestrutura para a bicicleta dos atuais 150km para 300km, além de reduzir limites de velocidade dos motorizados e expandir o sistema de bicicletas públicas. Muniz reforçou a importância de promover a acessibilidade a lugares pobres e promover o uso da bicicleta por todos os cariocas. Além disso, haverão parcerias público-privadas para que investimentos em áreas comerciais sejam pensados para as bicicletas.
A conferência em Copenhague acabou, mas a cidade continua sendo exemplo para o mundo e muitas outras podem seguir esses passos e ajudar seus países a diminuirem os impactos negativos sobre o clima no planeta. Afinal, pensar em cidades para as pessoas implica repensar um conceito fundamental: a quem servirá o progresso no futuro? Máquinas, concreto e aço tiveram seu tempo. Espera-se que o século XXI seja o tempo da vida em geral, a começar pela qualidade de vida dos humanos.
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Mais sobre os compromissos assumidos em Copenhague.
Com informações da página oficial do I-CE.
Novecentos rumo ao Mar

Foto: Luddista
Aos poucos, em ritmo constante, que se estendeu por toda a manhã até o início da tarde, 900 ciclistas foram do planalto até a baixada em meio ao verde do Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Itutinga Pilões. Não foi uma massa unida, mas um fluxo disperso de novos e velhos amigos. O esforço foi considerável e cada um terá sua própria história para contar sobre um mesmo dia em que todos se uniram pelo desejo de pedalar serra abaixo.
Mesmo com a altimetria favorável, houveram muitas subidas, altos e baixos entre a estação Grajaú da CPTM, início da futura rota Cicloturística Márcia Prado, e a cidade de Santos. O caminho traduz um grande desejo dos ciclistas, acessar ao litoral paulistano de maneira segura e sem a ajuda de motores, algo que oficialmente ainda não é permitido e que através da presença massiva dos 900 ciclistas nesse evento teste confirmou que a demanda existe e que muitos podem ser os benefícios.
Saiba mais sobre a rota cicloturística Márcia Prado no Ciclobr.
Um sentido para a vida
Jitensha (bicicleta, em japonês) é uma história sobre Mamoru Amagaya, um jovem se esforçando para encontrar sentido na vida.
Deprimido, desempregado, para piorar as coisas, as peças de sua bicicletas começam a desaparecer, uma por uma. Frustrado, Mamoru deixa um recado para o ladrão, pedindo-lhe que leve logo a bicicleta inteira. O recado que recebe em resposta tem uma assinatura: Deus.
Ao final, quando falta apenas uma peça para ser levada, Mamoru recebe um envelope, contendo os endereços em que cada peça da bicicleta pode ser recuperada. Confuso, o homem embarca em uma viagem para ressuscitar e remontar sua amada bicicleta. A busca faz Mamoru descobrir que ele próprio está em um processo de cura. Ao juntar sua bicicleta peça por peça, percebe que ele mesmo está sendo remontado, da mesma forma, por algo maior do que ele.
O filme Jitensha foi lançado em maio deste ano e já ganhou 4 prêmios.
Além de todas as metáforas, como a vida sendo despedaçada dia após dia, a morte cotidiana, o argumento central do filme retrata a certeza de que a bicicleta é mais do que um veículo. Sem motor, sem carapaças de aço, a bicicleta é uma ferramenta que potencializa o que temos de mais humano: nosso corpo, que molda nosso espírito. E a força interior que nos empurra a recomeçar todos os dias. Se desistir, a queda é inevitável.
A Bicicleta Elétrica
Foto: Richard Masoner
A bicicleta é basicamente a mesma desde o século XIX, as dificuldades são notáveis para trazer algo de verdadeiramente novo a máquina mais perfeita de transformação de energia em movimento. Atrás da moda das bicicletas que tem varrido o mundo, uma pequena marola tem vindo atrás com as "bicicletas elétricas". Veículos de propulsão mista, essas mobiletes sem barulho tem ganho espaço face a necessidade de diminuição dos impactos dos transportes na poluição local e global.
No entanto, uma bicicleta com acelerador na manopla deixa automaticamente de ser uma bicicleta e passa a ser outra coisa. Uma moto extremamente leve e com motor elétrico? Uma scooter que aceita ser pedalada? Uma moto com alforges de íon-lítio que plugam na tomada? As opções são muitas, mas nenhuma delas define uma bicicleta.
Em uma tentativa de promover a mobilidade sustentável cientistas desenvolveram a bicicleta eletro-assistida com sistema de recuperação de energia. O nome é longo, mas define uma bici com uma roda traseira bem pesada e imãs dentro do cubo. Quando o ciclista freia e durante as pedaladas, o sistema armazena energia e devolve quando o ciclista precisar. Tudo sem baterias ou cabos.
Certamente temos aí um uso inteligente para a alta tecnologia e bicicletas. Tudo é controlado pelo iPhone que também traz informações sobre performance, quilometragem, condições de trânsito, poluição, usos do espaço, etc. A idéia é que os usuários da bicicleta eletro-assistida possam também informar aos planejadores urbanos suas rotas preferidas e pontos de interesse. Tudo não passa de um protótipo, mas vale pela tentativa de dar um empurrãozinho para as magrelas mundo afora.
Saiba mais sobre a "Roda de Copenhague" no site e confira o teaser do projeto em inglês:
Rio Perde Provisoriamente o seu Rebolado

O sistema Samba de bicicletas de aluguel no Rio de Janeiro, teve seu primeiro revés desde a sua implementação. Em apenas 72 horas foram furtadas diversas bicicletas e danificadas estações. Por conta disso o sistema foi totalmente suspenso, para que seja feita uma restruturação que garanta a integridade das estações e bicicletas.
Em nota oficial, a empresa responsável deixou claro que o tempo fora do ar será acrescido aos planos em vigor, para que os usuários não sejam prejudicados.
Como tecnologia social, bicicletas de aluguel requerem a rápida interação entre o poder público, a iniciativa privada e a população. As estações estão lá para serem usadas e o processo de inserção do sistema na dinâmica urbana teve seu primeiro trauma. Alguns cidadãos se sentem excluídos por não participarem da cidade como um todo, não terem acesso aos serviços disponíveis aos "incluídos". Uma das consequências dessa batalha silenciosa é a degradação de espaços e equipamentos urbanos. Por conta disso, as bicicletas permanentemente expostas, acabaram sendo vítimas da "cidade partida".
O problema de segurança pública no Rio de Janeiro não será resolvido pelas bicicletas, nem tão pouco é causado por elas. No entanto, através da inclusão social que meios de transporte ativos promovem nas cidades podem ser construídos atalhos para uma cidade mais socialmente justa e inclusiva. Especificamente em relação ao sistem SAMBA, a empresa responsável e a administração municipal precisam estar cientes da importância de mobilizar os frequentadores dos espaços ao redor das estações, moradores ou não, de que aquele equipamento lhes pode ser útil e está acessível. Para isso, a integração com o Riocard (cartão pré-pago do sistema de ônibus) tem de ser feita o quanto antes. Além disso, a prefeitura precisa escolher locais mais felizes para as estações, por vezes isoladas em canteiros centrais e áreas de baixa circulação de pessoas, o que facilita a ação de criminosos e vândalos.
Compromissos Internacionais
Líderes do mundo todo estão em Copenhague essa semana para discutir compromissos na 15ª Conferência das Partes (COP15). Muitos impasses, discussões, propostas e mesas de debate visam traçar um caminho. Apesar da natureza global do evento, muitos representantes de cidades estão presentes.
O Rio de Janeiro esteve na mesa que tratou sobre como as cidades podem acelerar o desenvolvivemto verde nas cidades. Os impactos negativos do transporte são um importante componente das mudanças climáticas, natural portanto que os prefeitos tomem atitudes para diminuir o impacto do ir e vir de seus cidadãos. O carioca tem tido o prazer de cada vez mais receber incentivos para pedalar mais. São bicicletários, infraestrutura de circulação e principalmente, a presença constante da bicicleta na agenda política da cidade.
Compromissos, quanto mais públicos se tornam, mais tendem a serem cumpridos. Em conversa com o I-Ce, a Transporte Ativo sugeriu que a mesa a cargo deles em Copenhague contasse com a participação do governo da cidade do Rio de Janeiro. A presença em um evento pode parecer pouco, mas ajuda a reforçar compromissos e ajudar para que metas sejam cumpridas. Dessa maneira, de maneira simples e direta, conseguimos aproximar pessoas e seguir no rumo de solidificar a bicicleta como componente cada dia mais importante na política urbana carioca.
O vice-prefeito e secretário do Meio Ambiente Carlos Alberto Muniz, foi a Copenhague representando o prefeito Eduardo Paes. Esteve ao lado dos líderes da Cidade do México, Lion e Amsterdã para afirmar que o Rio pretende dobrar o total da malha cicloviária para 340km. O número impressiona e fará do Rio de Janeiro a cidade com a maior infraestrutura pra bicicletas na América Latina.
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Sabia Mais:
- Rio em duas rodas - Oikos Já!









