Blog da Transporte Ativo
28fev/091

Caminhos da Massa Crítica

Foto Gustavo Henrique.

A Massa Crítica Paulistana ganhou vulto. É hoje um momento único de encontro de ciclistas. Sempre as centenas, saem pelas ruas e transformam por algumas horas o trânsito de São Paulo. Pedalam em silêncio ou clamam em uníssono por menos carros e mais bicicletas. Sem líderes comportam a diversidade e acima de tudo a anarquia. E na definição de anarquia mora a controvérsia.

Inegavelmente trata-se de um movimento que luta por mudanças e é contra o status quo. A ausência de uma liderança central é ao mesmo tempo o maior trunfo e um problema. Afinal manter a ordem na anarquia implica responsabilidades individuais para não descambar para a total desordem sem lei. A permissividade implica na maioria das vezes em contestação pela alegria, mas pode gerar confusões.

Cada participante tem objetivos diversos, mas ao mesmo tempo todos juntos formam uma utopia. Um momento em movimento em que as pessoas fluem pelas amplas avenidas, em forma de nuvem o grupo fica denso e depois se espalha para mais a frente adensar-se novamente. O desafio da Bicicletada agora é um pouco o desafio de todos os milhares de ciclistas da cidade. Ser respeitado como mais um componente do trânsito na metrópole. Respeito que não será feito pela afronta violenta, mas pela colaboração.

A massa crítica é o momento em que cada ciclista presente inverte a ordem que enfrenta diariamente nas ruas. A bicicletas em grande número passam a ser o elemento mais forte nas ruas. Mas a realidade no dia a dia não é essa e impedir que aflorem "delírios de poder" nos participantes é a única maneira de não matar o movimento.

A Bicicletada precisa ser vista pelo que é. Uma contestação em relação as dificuldades de transitar em São Paulo, seja qual for o meio de transporte escolhido. E essa contestação é boa para todos, é boa para a cidade. O desafio está em mostrar nas ruas, de maneira anárquica que cada ciclista em grupo ou individualmente é um aliado no trânsito da cidade e na construção de uma cidade mais humana.

26fev/090

Segurança dos Ocupantes

Limite de Velocidade

Os ocupantes de automóveis no Brasil devem em breve ficar mais seguros. Caso seja aprovada, a "Lei do Air Bag" irá garantir a segurança de quem estiver dentro do carro. No entanto um detalhe chama a atenção. Os testes de colisão realizados para comprovar a segurança dos passageiros são feitos a uma velocidade de 48 km/h.

Conclui-se portanto que velocidades acima desse limite são mais perigosas mesmo para quem está dentro de um veículo motorizado e extremamente bem protegido com a mais alta tecnologia.

Cálculos feitos pelo Cesvi (Centro de Experimentação em Segurança Viária) indicam que R$ 2,2 bilhões de reais em despesas médicas e 3.426 vidas poderiam ter sido salvas caso o air bag já fosse obrigatório em todos os automóveis brasileiros. No entanto, milhares de vidas continuam a ser perdidas no Brasil por conta dos limites de velocidade em nossas ruas. Dentro dos perímetros urbanos brasileiros é possível trafegar legalmente a velocidades de até 90 km/h em pistas expressas ou de até 70 km/h em avenidas com grande afluxo de pedestres. É permitido até transitar a 60 km/h em ruas repletas de pessoas caminhando em calçadas estreitas.

Proteger os ocupantes dos veículos motorizados irá certamente contribuir para salvar vidas e diminuir prejuízos. No entanto, uma medida mais benéfica ainda precisa ser feita. Uma que vá de encontro ao modelo europeu copiado no Brasil no que tange os air bags. Precisamos de limites de velocidade mais baixos em nossas ruas e avenidas. Na Europa automóveis circulam a no máximo 50 km/h dentro das cidades com locais onde devem ir ainda mais devagar.

Veículos motorizados que trafegam mais lentamente trazem duas consequências, segurança viária e por vezes aumento da velocidade média do trânsito em geral. No anda e para das cidades brasileiras, limites de velocidade máxima mais baixos podem inclusive contribuir para aumentar a velocidade média das vias saturadas.

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Mais:
- Contra a Velocidade, a favor da vida (apocalipse motorizado).
- Potêncial de Efetividade do Air Bag (PDF - Cesvi Brasil).

25fev/093

Folia e Demanda nos Transportes

Folia

O Rio de Janeiro no Carnaval torna-se o Império da Folia, blocos de foliões tomam as ruas da cidade. O Metrô funciona sem parar em função dos desfiles das Escolas de Samba que varam as madrugadas. O caminhar e o transporte público são as únicas maneiras de se deslocar na cidade sem riscos de ficar totalmente parado.

Durante os dias de reinado de Momo centenas de milhares de cariocas e turistas se dispõe a caminhar mais e a depender apenas do metrô e dos ônibus. É um período extraordinário em que não há rotina e no qual todos experimentam novas e boas possibilidades de conhecer e interagir com o espaço público da cidade.

Várias ruas e grandes avenidas tornam-se espaço exclusivo para pedestres, o uso do automóvel particular evidencia-se como uma péssima opção. Uma nova cidade se desenha por alguns dias. Uma metrópole que se desloca em enormes bandos em todas as direções, uma população fantasiada e alegre.

O Carnaval aumenta exponencialmente a demanda por transporte, o metrô fica lotado e os ônibus presos nos engarrafamentos. Pedestres caminham longas distâncias. Os cidadãos mostram que mesmo longe do ideal o transporte público é a melhor maneira de cruzar a cidade quando muitas pessoas querem fazer o mesmo. Mas uma oportunidade fica perdida com a chegada da Quarta-Feira de Cinzas.

Cidadãos e a administração municipal carioca podem aprender algumas lições com os dias de folia. Os ônibus precisam ter espaço exclusivo para circular na superfície, o metrô precisa aumentar a sua capacidade e mais bicicletas podem circular se houverem incentivos e facilidades de estacionamento para os ciclistas. O Rio de Janeiro já está preparado para transportar milhões de foliões, mas precisa melhorar as condições de circulação dos cidadãos o ano todo para que durante o carnaval mais pessoas possam circular mais facilmente.

20fev/091

Carro de Luxo ou Bicicleta?

É possível ter um automóvel de luxo na garagem e ir de bicicleta para o trabalho. A Holanda é famosa por suas bicicletas e a geografia do país explica em parte esta opção por um transporte que exige pouco espaço urbano. Mas a adesão pela bicicleta entre os holandeses também decorre de mudanças de atitude das pessoas e intensa promoção do uso da bicicleta.

Uma série de vídeos produzidos pela NFTA é exemplo disto. Entre eles há um vídeo especialmente bonito:

A frase que aparece no final, diz: "Se gostamos tanto de pedalar, por que ficar presos em engarrafamentos? Vá de bicicleta para o trabalho - uma boa idéia!"

A trilha sonora é um trecho da canção "Op Fietse" (De bicicleta), com forte pegada folk estilo Bob Dylan, gravada em 1997 por uma banda chamada Skik. A letra da canção fala como é maravilhoso pedalar, ir para qualquer lugar sentindo o vento pelas florestas e margens dos rios da Província de Drenthe, situada no nordeste da Holanda.
A música fez sucesso e entrou para a lista das mais tocadas. Veja o clipe:

Então, deixe seu carro na garagem e vá de bicicleta!

  • Mais:
    A view from the cycle path
  • 19fev/093

    Ronda em Bicicleta

    Bicicleta Patrulha

    Foto Makrul

    De dia eu rondo a cidade
    A pedalar, sempre a girar
    No meio de olhares espio
    Entre ruas, bares e lares
    Em segurança a passar...

    Volto pra casa alegre
    Contente da vida
    É como se sonho fosse
    Essa história de em bicicleta rondar...

    Ah! É como se a todos
    Bem eu quisesse
    Por entre eles estar
    E cada um me viesse
    Incentivar e pedir
    Segue a pedalar.

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    Paródia livremente inspirada em Maria Bethânia - Ronda. Sobre notícia em Biriguí.
    - GM de Birigui faz ronda em bicicletas - Folha da Região
    - Vale elogios a Secretaria de Segurança de Birigui.

    16fev/094

    Nascimento de Uma Ciclista

    jeanne

    Jeanne é jornalista, conheceu a Bicicletada Paulistana e tornou-se ciclista. Foi mordida pelo prazer que não se explica, pela constante injeção de endorfina, pela praticidade de praticar exercício indo e vindo do trabalho. Uma maneira excelente de reconquistar um prazer aprendido na infância, locomover-se com liberdade pedalando.

    Assim ela resume sua experiência:

    Após quatro meses redescobrindo o prazer de pedalar, percebo que bicicleta é pra mim, sim. Os amigos ainda acham graça. Alguns não aguentam mais me ouvir falar de bicicleta. É que eu a considero o veículo ideal: permite vencer distâncias maiores que a pé, não polui, não faz barulho, é saudável e não gera trânsito. Mas o mais bacana da bike não é nada disso. O melhor é que é divertido. E isso é ótimo antes de encarar o batente. O resto, como se diz, é um “plus a mais”. Fazer um mundo melhor vem de brinde.

    Vale a pena conferir a excelente matéria publicada pela Revista Época SP. A capa é sobre viver de forma saudável na Metrópole e a bicicleta certamente faz com que cada ciclista seja mais saudável e amigável ao ambiente que o circunda.

    - Diários de bicicleta
    POR JEANNE CALLEGARI

    16fev/090

    Bonita, saudável, sexy

    Sexy bicycle, por MichaelMikymike

    foto: MichaelMikymike

    Você está acima do seu peso ideal. Mais de um médico mandou você incluir exercícios diários em sua rotina. E você não encontra tempo: trabalho, escola dos filhos, afazeres do dia-a-dia... Matricular-se numa academia é uma boa solução. Mas como encontrar mais tempo em sua agenda diária lotada?
    Pedalar é o melhor exercício! Porém, se você está pensando em comprar uma bicicleta ergométrica, pense 2 vezes. Aliás, pense 22 vezes, pois exercitar-se numa ergométrica exige mais que o dobro de disciplina e força de vontade. Além disto, você vai precisar de ter um espaço dentro de casa. E se já não tem tempo, como vai conseguir minutos suficientes para usar a ergométrica?
    Prefira pedalar pela cidade! A solução é fazer trocas inteligentes. Aqueles pequenos trechos que você faz de carro, vá de bicicleta. Para isto, não vai precisar de tempo adicional em sua agenda diária. Aliás, é provável que vá ganhar tempo, pois em pequenas distâncias a bicicleta é o meio de transporte mais rápido e eficiente. Seu trabalho é longe? Numa primeira etapa, vá de carro até certo ponto e de lá siga de bicicleta. Se você mora no Rio ou São Paulo, utilize os novíssimos sistemas de aluguel de bicicleta. A demanda faz o mercado.

    Em poucos dias usando a bicicleta, você verá nitidamente os benefícios para sua saúde física e mental.

    12fev/095

    Um Caminho Verde para São Paulo

    Caminho Verde

    São Paulo tem cada dia mais aberto caminho para a circulação por bicicletas. Mas não se trata apenas de uma política de construção de pistas segregadas em prol da segurança, é também um trabalho que envolve a promoção de uma nova cultura de mobilidade.

    Um número expressivo de paulistanos utiliza a magrela como seu meio de transporte principal, todos os dias. Já estão nas ruas, ainda que em condições passíveis de serem melhoradas. Qualquer medida de incentivo ao aumento do deslocamentos em bicicleta irá ser em função do aumento do número de viagens em bicicleta e não da "mágica da fabricação de ciclistas".

    Ainda que inconclusa, a ciclovia do Caminho Verde na Radial Leste já é um símbolo concreto da inserção do planejamento cicloviário na lógica dos transportes em São Paulo. Um novo elemento já faz parte do sistema viário da cidade, ele não pode e não irá permancer isolado.

    Radial Leste

    Uma faixa compartilhada entre ciclistas e pedestres como o Caminho Verde na Radial Leste é também a requalificação de um espaço antes abandonado. A paisagem que antes tinha apenas um muro e muito concreto agora já tem flores, árvores recém-plantadas e um piso vermelho que parece brilhar com a água da chuva.

    Caminho Verde 2

    10fev/090

    O Centauro Moderno

    Motorista

    Texto do Secretário do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo - Eduardo Jorge

    Um cidadão reclama em artigo do JT do entusiasmo da SVMA com a causa da bicicleta em São Paulo.

    É verdade, desde 2005 a SVMA tem se dedicado a mudar a relação da cidade com os ciclistas.

    De parte do poder público, das empresas aqui sediadas e dos próprios motoristas de veículos motorizados em 2005 estávamos partindo praticamente do zero. Porém o que se ignorava e o que nós descobrimos é que 300.000 pessoas já usam mesmo assim a bicicleta como meio de transporte principal em São Paulo e vizinhanças. São na maioria trabalhadores e estudantes moradores de áreas periféricas e em menor número ciclista por opção de consciência que sabem que estão ajudando a cidade. Ajudando a diminuir a poluição, o aquecimento global, beneficiando a saúde pública e o trânsito da capital paulista.

    O que já fizemos de 2005 para cá? O Prefeito criou um grupo executivo intersecretarial - Pró Ciclista - que está estudando todos os possíveis locais de apóio com infra-estrutura pública ou em parceria.

    Como resultado a SVMA já licitou via Metro uma ciclovia de 12 km ao longo da Radial Leste que já foi inaugurada parcialmente e deve ser concluída este ano. Também em outros locais na Zona Norte e Zona Sul a SVMA vem implantando ciclovias em conjunto com Subprefeituras. Outros 100 km estão em diferentes estágios de concretização (projeto, licitação, etc).

    Já instalamos quase 2.000 paraciclos na cidade e estamos apoiando o Governo Estadual, via Metro e CPTM, na implantação de bicicletários e aluguel de bicicletas (o primeiro deste tipo na América do Sul).

    A Secretaria de Esportes criou a escola de ciclismo para criança da rede pública de ensino.

    Com a Secretaria de Transporte estamos iniciando um esforço de educação para cultura de paz no trânsito primeiro com os motoristas de ônibus e depois para o conjunto dos motoristas.

    Este é o investimento mais importante. Mudar a cultura imperante de que os veículos motorizados são donos da cidade. Aliás, as maiores vítimas não são os ciclistas. São os pedestres, principalmente idosos e crianças. É só estudar as estatísticas de São Paulo e de todo Brasil.

    Mesmo em cidades com boa estrutura de ciclovias e ciclofaixas elas cobrem uma parcela relativamente pequena das vias públicas. Na maior parte destas cidades as vias são compartilhadas por bicicletas e veículos motorizados. Pacífica e educadamente.

    Na Grécia mitológica os centauros eram famosos por seu comportamento selvagem e turbulento. No Século XXI temos centauros modernos com cabeça, tronco, braços e quatro rodas. Realmente é um trabalho para Hércules trazer este tipo de ser vivo para uma convivência civilizada com os demais habitantes da cidade.

    9fev/090

    Promoção para ir ao Samba

    Samba estacionada
    A SAMBA, bicicletas públicas do Rio, está com uma promoção por tempo limitado. O passe por um ano está por 100 reais e 6 meses custam 50 reais. Além disso todo o valor pago é revertido em créditos nas viagens remuneradas, aquelas acima de 30 minutos.

    O sistema operacional é muito bom, facílimo e prático de usar não deixando nada a dever aos sistemas europeus, sendo inclusive mais moderno e prático em diversos aspectos. As deficiências existentes tem sido sempre equacionadas pela responsável.

    Ter acesso a uma tecnologia nacional de enorme qualidade é certamente um privilégio que os cariocas devem aproveitar. Faça chuva ou faça sol, o ciclista não precisa se preocupar em lavar, lubrificar, ajustar ou calibrar os pneus. Uma equipe faz isso pra você.

    Além das suas bicicletas pessoais o ciclista pode ter mais 60 espalhadas por Copacabana para pegar e deixar na estação que quiser sem pagar nada nos primeiros 30 minutos.

    Por enquanto são seis estações em Copacabana, em março começam a ser instaladas as de Ipanema, Leblon e Lagoa cada uma delas com 10 bicicletas e 14 vagas. Até o final do ano serão 50 estações e 500 bicicletas do Leblon a Tijuca.

    Pra quem é de Copacabana, Leme, Lagoa, Ipanema e Leblon, vale muito a pena aproveitar a promoção, pra quem é de outros bairros do Rio mas roda muito por estes locais também é uma ótima oportunidade de testar o sistema por seis meses ou um ano por um preço bem convidativo.

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    Mais:
    Site Oficial do sistema de Bicicletas Públicas Cariocas: