Blog da Transporte Ativo
16mar/072

O Não Transporte

Foto Zé Lobo

Uma tese apresentada em maio de 1989 no VII Congresso Brasileiro de Transporte Público continua atual. As idéias partiram da Comissão de Circulação e Urbanismo da Associação Nacional de Transporte Público – ANTP, a tese: “Não Transporte: a reconquista do espaço tempo social”.

A tese defendia a idéia da redução das viagens motorizadas como solução para o deslocamento sustentável. Ao invés de vias ociosas nos horários de pico no contrafluxo, defendiam-se as mãos horárias, isto é, nos horários de pico, vias de mão dupla teriam todas as pistas funcionando num único sentido, acabando com a ociosidade no contrafluxo. Defendiam-se bairros com mais autonomia nas atividades de trabalho e cotidianas, através da descentralização de unidades públicas, industriais e comerciais, evitando assim o deslocamento das pessoas para outros bairros em busca destes serviços. Mostrava-se que o deslocamento a pé e de bicicleta poderiam ser tratados com a mesma seriedade de uma via de automóvel com planejamento, iluminação, orientação, e estar adequadamente pavimentada, sem buracos e com piso de qualidade. Defendia-se que o transporte coletivo podia ter serviços de qualidade no atendimento aos usuários, reduzindo o tempo de viagem com faixas e vias exclusivas, diversificando os serviços para atender os vários públicos. Além disso, apresentaram a idéia de um reordenamento profundo do espaço urbano através de políticas que obrigassem a ocupação dos espaços vazios em áreas infraestruturadas que estivessem retidos pela especulação imobiliária.

Passados 18 anos após o lançamento dessa primeira semente podemos ver o quão atual ela ainda é. Ao longo desse tempo, a Comissão de Circulação e Urbanismo escreveu outras teses complementares dando prosseguimento à proposta do não transporte. Atualmente, o conceito recebe também o nome de mobilidade sustentável, e ainda precisa percorrer um longo caminho para tornar-se hegemônica no nosso país.

Defender hoje a tese do não transporte significa introduzir o conceito do tempo no uso da cidade, o que é essencial à apropriação social do espaço de mobilidade. Dessa forma, ter pedestres, ônibus, carros e bicicletas compartilhando o tempo e o espaço na cidade, não se torna um sonho impossível. A rua poderia ser usada pelos pedestres e veículos. O tráfego de bicicleta seria demarcado apenas por um desenho na via. Isso já ocorre em cidades européias, onde também as vias de automóveis têm seu leito reduzido para ceder espaço às bicicletas, ou se compartilha o espaço entre todas as formas de deslocamento.

Uma revolução de valores acontece quando a calçada atravessa a rua e o carro é obrigado a pedir licença ao pedestre. As crianças podem voltar a ser crianças, os velhos e paraplégicos podem seguir como cidadãos seu ritmo próprio, e a grama deixar de ser estacionamento de automóveis.

> A matéria apresentada baseou-se em artigo publicado na Revista dos Transportes Públicos – ANTP – Ano 23 – 2001 – 2º Semestre – “Não Transporte, 10 anos depois Resultados do trabalho da Comissão de Circulação e Urbanismo da ANTP" escrito pelo Vice-presidente da Associação Nacional de Transporte Público, presidente da Comissão de Circulação e Urbanismo e presidente do Instituto Ruaviva – Sr.Nazareno Stanislau Affonso.

15mar/070

Boulevard Ciclístico

Foto StreetFilms

A palavra francesa Boulevard designa as amplas avenidas implementadas com um paisagismo refinado e diversas pistas de rolamento.

Nos EUA o termo foi associado a bicicleta e se traduz em ruas mais estreitas para os automóveis que com isso devem trafegar em velocidade compatível com o trânsito não motorizado. A idéia de um "Boulevard Ciclístico" une ao mesmo tempo o conceito de "Ciclo-Rede" ao ideais de "Traffic Calming". Ao invés de simplesmente construir infra-estrutura segregada para o deslocamento das bicicletas, o que se implementou foi a integração aos demais componentes do trânsito, sempre em rotas compartilhadas, sinalizadas e com facilidades exclusivas para pedestres e ciclistas.

Vale conferir os exemplos em vídeo (em inglês).

Portland:

Berkley:

  • Mais informações:
  • > A "Bicycle Transportation Alliance" de Portland defende a idéia:
    Bicycle Boulevards Campaign
    E tem uma série de textos sobre o tema.
    BTA Blog - Boulevards

    > A Escola de Bicicleta resume o conceito de Ciclo-Rede

    > Traffic Calming

    14mar/074

    Pedestre é poesia

    pedestre na faixa
    Foto Mário Moreno

    Ruas

    Por que ruas tão largas?
    Por que ruas tão retas?
    Meu passo torto
    foi regulado pelos becos tortos
    de onde venho.
    Não sei andar na vastidão simétrica
    implacável
    Cidade grande é isso?
    Cidades são passagens sinuosas
    de esconde-esconde
    em que as casas aparecem-desaparecem
    quando bem entendem

    e todo mundo acha normal.
    Aqui tudo é exposto
    evidente
    cintilante. Aqui
    obrigam-me a nascer de novo, desarmado.

    > Carlos Drummond de Andrade.

    Catorze de março no Brasil é o dia Nacional da Poesia. Poeta também é o pedestre, que flana pelas ruas e calçadas em diversos ritmos. Fazendo de labirintos urbanos, caminhos.

    Amore Pedestre
    Um filme de 1914, de Marcel Fabre. Toda a história contada sem diálogos e somente com os pés e pernas.

    Num contexto mais alargado, a poesia aparece também identificada com a própria arte, o que tem razão de ser já que qualquer arte é, também, uma forma de linguagem.

    Poesia na Wikipedia

    13mar/070

    Informativo Bimestral 09

    Logo Transporte Ativo

    Ano novo, carnaval e as coisas no Brasil como sempre andando devagarinho, mas a TA não parou.

    O início da criação da UCB, as visitas aos Shoppings Centers Cariocas e o diálogo com a Barcas S.A. foram destaque. Vale conferir o informativo.

    Clique aqui para ver a última edição
    .

    Para inteirar-se dos acontecimentos anteriores, visite aqui.

    12mar/070

    Seminário em São Paulo

    Convite

    (clique na foto para visualizar o convite

    Um Novo Olhar sobre a Bicicleta e a Cidade

    Aos que sejam ou estejam na capital paulista nessa quarta feira, o convite para comparecer à sede da Prefeitura para discutir a concepção da bicicleta como meio de transporte urbano. Serão abordados os avanços na esfera municipal, estadual e federal.

    Local: Auditório do 7º andar – Edifício Matarazzo

    Data: 14 de março de 2007

    Horário: 14h00

    Entidades envolvidas
    :

    - Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana - Semob;
    - Companhia de Engenharia de Tráfego - CET;
    - Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida – Seped;
    - Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – SVMA
    - Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação - SEME;
    - Secretaria Municipal de Transportes;

    11mar/072

    Bicicletários na Imprensa

    A vistoria nos shoppings repercutiu esse fim de semana na imprensa carioca.

    Uma nota no sábado ressaltou a vistoria e os shoppings amigos do ciclista. No domingo uma matéria completa apontou os problemas averiguados além das vantagens que desfrutam os usuários da bicicleta simplesmente por escolherem um meio de transporte tão eficiente.

    > Mais informações sobre a vistoria.
    > A matéria pode ser:
    Baixada em PDF.
    ou
    Lida na versão Online do Jornal (requer cadastro).
    > Coluna Gente Boa - "Vai de Bicicleta"

    Plaza Shopping (foto - Zé Lobo) e Rio Sul foram apontados como os melhores shoppings para os ciclistas.

    10mar/072

    Mudança à Moda Holandesa

    Foto Pablo

    Amsterdam, capital mundial das bicicletas. Para os holandeses, apenas mais um meio de transporte do dia a dia. Quanto têm que levar a mudança da casa, existem excelentes bicis cargueiras para alugar.

    A bicicleta nesse caso mostrou-se acima de tudo, uma alternativa real, de fácil acesso. Um dos componentes necessários à diversidade urbana, que se traduz em qualidade de vida para todos. Afinal, quando mais opções disponíveis para a população, menos sobrecarregadas se tornam as infra-estruturas de transporte.

    Mudança

    (...)

    Tentei chamar uma van que transporta. Mas não tinham mais horários. Então parti pra solução típica dutch: bike!!! Aluguei uma bakfiets igual a essa (um triciclo): caçamba de 1,90 x 1 m! 25 euros por 1 dia.

    É uma bike muito doida, porque o manuseio é bem diferente de uma comum. Claro, é enorme, mas além disso, tem duas rodas na frente, então nas curvas não há balanço com corpo. É pesada, e embora Amsterdam não tenha ladeiras, na hora de atravessar os canais, só aquelas subidas já eram mó esforço. A proporção das catracas é como na marcha mais leve de bikes comuns, então você pedala várias vezes pra locomover pouco e não consegue ir rápido com ela (a não ser nas descidas, já que ela é pesada e pega velocidade fácil).

    E o mais estranho de tudo: não existe roda livre. Quando ela anda pra frente, sempre os pedais rodam pra frente -- logo, se você roda ele pra trás, ela dá ré! O freio é uma alavanca no meio do quadro. Demorei para me adaptar a isso!

    Por causa disso tudo, quase bati no início -- fui falar no celular enquanto pedalava, e isso não dá mesmo! Quando descia as ladeiras, o pedal vai rodando mais e mais rápido e dá um certo desespero -- depois peguei a manha de tirar os pés mesmo e deixar eles rodarem o mais rápido que for, para pegar velocidade... só recolocava quando já tinha diminuído de novo.

    [Outra manha que peguei durante o uso foi de em vez de ficar me matando pra subir a ladeira em cima da bike, pular dela e empurrar até o cume, e depois de atingi-lo, pular rapidamente pra cima de novo pra aproveitar a descida]

    Pois bem, com a bike fiz 3 viagens de ida de volta. A distância entre casa velha e nova é de aproximadamente 4km, então pedalei 25 km em uma dia! Devo ter carregado uns 400 quilos no total. No fim do dia tava exausto!

    Para ficar mais emocionante, chovia na segunda viagem! Eu, com casaco, capuz e cachecol, suando pacas --- não podia me descobrir e ao mesmo tempo tava fazendo mó esforço --- com cadeiras, peças compridas de madeira de uma cama, mais um monte de caixas e mochilas cheias, cortando o vento e tomando água na cara!

    Muito guerreiro! Me senti um herói, ainda mais porque meus companheiros de casa não carregaram quase nada. Foi tudo em uma dia, só com bike (com exceção de um colchão de casal enorme, que só foi no carro de uma amiga, 1 dia depois).

    Originalmente publicado no blog pessoal do Pablo.

    8mar/072

    Mais Rápido de Bicicleta

    mais rapido de bici

    Imagens - Edu

    Assim na vida como no trânsito, menos é mais. Um passeio no tráfego pesado do Rio de Janeiro ilustra a superioridade do transporte à propulsão humana no uso do espaço urbano. Devagar e sempre 3 ciclistas e uma câmera ilustram através de imagens em movimento que o bom uso das ruas é uma possibilidade tanto quanto uma necessidade.

    Como diz o CTB, lugar de bicicleta é na rua. Ao compartilharmos o espaço, mostramos aos motoristas a fluidez possível em meio à imobilidade. Parafraseando Chico Science: uma pedalada a frente, e não estamos mais no mesmo lugar.

    A Media Player is required.
    Clique para baixar o vídeo: "Vou mais rápido de Bicicleta"

    7mar/071

    Bicicleta Integrada

    Foto retirada do Apocalipse Motorizado

    Integrar a bicicleta aos meios de transporte de massa é uma questão fundamental para a mobilidade das cidades. Em São Paulo, aos sábados e fins de semana isso já é possível. Uma video reportagem de Renata Falzoni ilustrou a recente inauguração.

    No entanto, cidades no exterior, o acesso dos ciclistas aos trens é facilitado e permitido em qualquer hora. Naturalmente que ninguém têm a idéia infeliz de usar o metro lotado na hora do rush carregando sua bicicleta. Prevalecendo o bom-senso e uma infra-estrutura mínima dentro dos trens, bicicletas e transporte de massa tem muito a se complementar.

    Em São Francisco, a bicicleta tem espaço nos trens.
    Foto de Jym Dyer

    6mar/071

    Imobilidade pode ser vício

    future drivers

    imagem retirada do site BMW of North Haven

    De acordo com o autor suíço Siro Spörli, o automóvel é tão perigoso quanto uma droga e proporciona aos seres humanos uma forte sensação de poder, sedução e tesão. O carro então adquire um significado diferente, não mais apenas um mero meio de transporte, mas um simulacro de felicidade e prazer. Homens e mulheres tentam encontrar um momento de plenitude em suas vidas estressadas.

    Nenhuma campanha que vise reduzir o uso do carro particular terá sucesso se não levar em consideração a "dependência automobilística". São necessárias algumas das eficazes táticas de combate aos vícios empregadas em campanhas como o anti-tabagismo e o alcoolismo. Iniciativas apelativas, que apontam o dedo na cara dos "malvados motoristas", podem ser contraproducentes, uma vez que a resposta típica das pessoas para os alertas de um futuro sombrio e condenando é sentir-se oprimido, com sentimentos do abandono e desespero.

    Como se cura um vício?

    Uma característica importante das campanhas anti-fumo foi o foco em crianças. Embora haja várias técnicas para se lidar com hábitos, a maioria dos peritos concorda que a melhor solução é nunca adquiri-los. Segue então que a melhor maneira de tratar o uso desnecessário do carro é, antes de tudo, nunca começar a usá-lo desnecessariamente.

    Um estudo feito na Inglaterra em 1995 descobriu que as crianças são tão dependentes dos carros quanto seus pais, pois 90 por cento das meninas e 75 por cento dos meninos disseram que encontrariam dificuldade em ajustar seu estilo de vida sem um carro. Tentativas devem ser feitas para impedir que gerações futuras se tornem viciadas em carro, é importante ter como alvo as crianças que ainda não assimilaram a propaganda pró-carro. O estudo sugere que, quando crianças atingem 13 anos, já está demasiado tarde; por meio de condicionamentos sociais elas já foram influenciadas pela cultura do automóvel.

    Estas e outras desafiadoras idéias estão presentes no artigo “Viciados em carros”, traduzido do original inglês “Hooked on cars”, que se encontra na Revista Carbusters.

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    Há outros textos e artigos acadêmicos nesta mesma linha, que considera o uso do carro como vício.

    Disponível na página da Transporte Ativo:
    * Como Curar a dependência do Carro.
    * Uma campanha que ensina a:
    "Dieta de redução no uso do carro".

    Em Inglês:
    * Autoholicos Anônimos.
    * Dez Maneiras de Reduzir a Dependência do Automóvel.

    Três indicações bibliográficas também em inglês:

    * Kicking the habit - part 1
    Kicking the habit - part 2
    * The most dangerous addiction of all: the car
    * Driving passion