Roupas, estilo e bicicleta

Com exceção das pedaladas peladas, em geral todos pedalamos vestidos. E no dia a dia dos pedais, existem uma série de fatores esquecidos para as roupas usadas pelos ciclistas.

Há o esporte do ciclismo, com roupas de tecidos sintéticos para lidar com o suor e grudadas no corpo para diminuir a resistência do vento. Mas na cidade, nos deslocamentos pendulares entre casa e trabalho, as vestimentas de atleta nem sempre são a melhor opção. Afinal, um short com espuma acolchoada nos fundilhos e elástico nas coxas não é exatamente a melhor opção para passar 8 horas em uma cadeira de escritório.

De maneira espontânea, os ciclistas buscam estilos de vestir adequados ao uso que fazem da bicicleta e no cotidiano, isso significa roupas adequadas para pedalar, mas não só para ficar no selim. Timidamente as marcas que definem estilos e produzem roupas buscam se adequar a essa demanda.

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Ciclistas fumam cigarro durante Tour de France nos anos 1920. Foto: Sem Créditos.

 

Camiseta Polo e a moda do esporte

Foi o grande tenista René Lacoste, o “Crocodilo”, que inventou e popularizou as camisetas de manga curta, gola alta e três botões. Foi no entanto a adoção da peça de roupa pelos atletas do polo que popularizou a “roupa para jogar tênis”.

Lacoste imaginou uma roupa que fosse confortável e elegante para sua prática esportiva, atualizando a vestimenta sisuda utilizada anteriormente e que era desconfortável para as raquetadas.

As especificidades do ciclismo de alto rendimento tornam menos viável a popularização das roupas dos atletas no uso cotidiano. Ainda assim, a cultura da bicicleta tende a avançar sobre mais barreiras quando a roupa que se utiliza para pedalar for também vestimenta cotidiana para quem está longe dos pedais.

A bicicleta como acessório de estilo

Por hora a bicicleta ainda é em geral utilizada como acessório de estilo, um ícone em campanhas de marketing de roupas. Certamente há benefícios de ter a bicicleta como uma peça “da moda”, mas são poucos. Nos milhares de “conceitos” e apelos para o consumo, as magrelas tendem a ser apenas mais um ruído. Passam a imagem de liberdade, modernidade e acabam por ser apenas excentricidade da vida urbana.

Há de chegar o tempo em que a utilidade da bicicleta e das vestimentas confortátveis para pedalar sejam populares para além da imagem em campanhas publicitárias. Roupas mais duráveis, com costuras reforçadas, adequadas para quem está ao ar livre e em movimento são acima de tudo uma necessidade dos tempos atuais.

Até lá, seguiremos com a bicicleta como símbolo “trendsetter”, como na bela campanha com ciclistas urbanos da Levi’s:

Leia mais:

Jeans & pedal
Levi’s lança no Brasil sua linha Commuter 2015, projetada para ciclistas urbanos

VeloCity 2015 e o papel da bicicleta para o futuro das cidades

Quai des Antilles ©Jean-Dominique Billaud/VeloCity 2015

Promover a bicicleta requer ousadia para lançar-se rumo a caminhos desconhecidos em busca do equilíbrio. O desafio é um pouco a síntese do século XXI, reinventar o que já está construído e que buscam nos convencer que está pronto. Felizmente há sempre espaço para sonhar, imaginar e realizar novidades.

Nantes (França) será este ano a sede do VeloCity, maior conferência mundial sobre bicicletas que acontecerá em junho. O tema é “Cycling: Future Maker” (Ciclismo, construtor de futuro). Teremos a maior delegação brasileira presente com mais de 20 pessoas do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasilia, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Recife entre outras cidades.

A maior delegação brasileira, até então, havia sido a que foi para Munique. Em 2007, o ICE (Interface for Cycling Expertise) levou 11 brasileros do Rio, São Paulo, Florianopolis, Rio Claro e Blumenau.

Essa presença massiva em 2014 é reflexo de nosso trabalho como embaixadores do evento, fruto de um convite feito em Adelaide, 2014. Mais uma vez fomos convidados para avaliar os trabalhos enviados. Além disso, iremos também coordenar e moderar o painel “Dare to campaign for your bike” (Ouse promover a bicicleta). Por fim, uma parceria com o Banco Itaú proporcionou a ida (com todos os custos pagos) para as pessoas responsáveis por 3 dos trabalhos brasileiros selecionados para o VeloCity 2015. São eles oGangorra com aRuaça; Ciclo Urbano com Bike Blitz e Yuriê Batista com Ciclabilidade das Cidades Brasileiras.

Outros 10 trabalhos brasileiros também foram selecionados.

Cyclotan ©Roberto Giangrande

Cyclotan
©Roberto Giangrande/VeloCity 2015

Histórico da Transporte Ativo na conferência VeloCity

Desde 2007 a Transporte Ativo está presente no VeloCity. Os temas foram variados e sempre pautaram a maneira com que se busca incentivar a bicicleta nas cidades. Em 2007 Munique aprendemos sobre o tema “From Vision to Reality” (Visualizar para realizar), 2009 Bruxelas e “Re-cycling Cities” (reciclando as cidades), 2010 Copenhague “Different Gears – Same Destination” (diferentes marchas, mesmo destino). No ano de 2011 fizemos parte do comitê de avaliação dos trabalhos da conferência de Sevilha que abordou “The Cycle of life” (o ciclo da vida).

O ano de 2013 em Viena, marcou nossa primeira premiação. Recebemos o Cycling Visionary awards Jury Prize na categoria Science, Research and Development pelo levantamento das bicicletas de carga em Copacabana.

Do outro lado do planeta em Adelaide 2014 participamos da “Celebration of Cycling” (celebração da bicicleta). Fomos finalistas do Cycling Luminaires Award na categoria Leadreship International. Não recebemos o prêmio, mas fomos agraciados com o convite para sermos embaixadores do VeloCity no Brasil.

O Rio de Janeiro e o VeloCity

Desde 2007 a cidade maravilhosa esteve representada em todas as edições do VeloCity, com trabalhos apresentados nos anos de 2007, 2011, 2012, 2013 e 2014. A cidade chegou ainda na  shortlist para sediar o VC 2014.

Esse post é para ser lido com trilha sonora. Tudo para preparar os ânimos para a França:

A Bicicleta no Brasil – O Livro

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Uma compilação de dados, informações e curiosidades acerca dos usos e da cultura da bicicleta em 10 capitais brasileiras. Esse é o livro “A Bicicleta no Brasil”, que será lançado simultaneamente em 8 cidades no dia 07 de maio de 2015.

Parceria entre a associação Aliança Bike, a rede Bicicleta para Todos, a rede Bike Anjo e a UCB – União dos Ciclistas do Brasil com o apoio do Itaú. “O livro é o início de uma série importante de publicações que romperão com muitos paradigmas e preconceitos sobre a mobilidade por bicicletas no Brasil”, declara Daniel Guth, líder da rede Bicicleta para Todos e diretor de participação da Ciclocidade.

Além dos organizadores, também participaram da elaboração do livro grupos, entidades e organizações de dez cidades diferentes. São elas: Ameciclo (Recife-PE), BH em Ciclo (Belo Horizonte-MG), Ciclocidade (São Paulo-SP), Cicloiguaçu (Curitiba-PR), Ciclourbano (Aracaju-SE), Ciclovida (Fortaleza-CE), Pedala Manaus (Manaus-AM), Rodas da Paz (Brasilia-DF), Transporte Ativo (Rio de Janeiro-RJ) e ViaCiclo (Florianópolis-SC).

Organizado por André Geraldo Soares, Daniel Guth, João Paulo Amaral e Marcelo Maciel, a publicação tem fotografias de Felipe Baenninger e diagramação, design e ilustrações de Giovana Pasquini. “O maior resultado deste livro é ver que o Brasil já é um país das bicicletas e que diversas cidades já estão se mobilizando para dar ainda mais espaço às magrelas”, afirma João Paulo Amaral, articulador da rede Bike Anjo.

No mesmo dia do lançamento, o livro também estará disponível em versão digital, nos sites das organizações participantes.

Lançamentos simultâneos confirmados do livro “A Bicicleta no Brasil”

Dia 07 de Maio (5ª feira)

  • Recife: 18h30
    Local: Reciclo Bikes do Impacto Hub – Rua do Bom Jesus, 180 (Bairro do Recife)
  • Rio de Janeiro: 18h30
    Studio X – Praça Tiradentes, 48 (Centro)
  • Aracaju: 19h
    Local: Sociedade Semear – Rua Leonardo Leite, 148 (São José)
  • Belo Horizonte: 19h
    Local: Casa do Jornalista – Av. Álvares Cabral, 400 (Centro)
  • Brasília: 19h
    Balaio Café – CLN 201 – Bloco B – Loja 19/31
  • São Paulo – 19h
    Local: Biblioteca Mario de Andrade – Rua da Consolação, 94 (Centro)
  • Curitiba: 19h30
    Bicicletaria Cultural – Rua Presidente Faria, 226
  • Manaus: 20h
    Anfiteatro do Parque dos Bilhares – Av. Djalma Batista, s/n (Chapada)

 

 

Bicicletas e ciclovias, da sala de aula para a rua

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Reunião entre técnicos da prefeitura e estudantes – foto de 2011.

O esforço para trazer mais bicicletas para as ruas das Laranjeiras e Cosme Velho começou na sala de aula, com estudantes que fizeram o planejamento cicloviário da região para um trabalho acadêmico da escola.

Alunos de 15 e 16 anos, do 1º e 2º ano do Ensino Médio do Liceu Franco-Brasileiro, resolveram ir além da insatisfação com o trânsito e buscar uma solução. No fim de 2010, o grupo Franco Droid, formado na turma de Robótica do colégio, criou um projeto de ciclovia para a região de Catete, Largo do Machado, Laranjeiras e Flamengo.

Além de apresentar o trabalho na Noruega, o resultado foi apresentado à prefeitura. Na sequência, a comunidade se mobilizou para aferir o fluxo de ciclistas e com apoio popular e um plano esboçado, era hora do poder público agir.

Aos poucos o resultado do que começou nos bancos escolares começa a aparecer.

Tal como o óleo da corrente da bicicleta, a sociedade civil contribuiu para que o movimento seguisse mais macio. Por hora são as ruas que serão retomadas para as pessoas, mas nada impede imaginar e planejar para que também os rios possam correr livres e limpos pelos espaços que lhes foram suprimidos.

O rio Carioca desce do maciço da Tijuca até a praia do Flamengo serpeteando pelo Cosme Velho e as Laranjeiras. As águas hoje poluídas que deram nome à população do Rio de Janeiro estão em grande parte submersas, mas a fluidez hidrográfica ainda pode se sentir nas curvas do asfalto que passam por cima da canalização.

Ainda falta um longo caminho para devolver à cidade a beleza de seu mais famoso curso d´água, mas ao menos o sinuoso aclive que liga o mar à montanha já começa a contar com uma malha cicloviária para permitir que flua mais gente pelas ruas.

Saiba mais:
Estudantes cariocas participam de competição de robótica na Dinamarca
A contagem de bicicletas em Laranjeiras
Rio vai ganhar ciclovia de 10,4 km entre Cosme Velho e Botafogo após pedido de estudantes

Vaga viva, do ativismo à política pública

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Parklet em sorveteria paulistana

 

A prefeitura do Rio de Janeiro anunciou em 13 de abril de 2015 a criação da “Parada Carioca”. Trata-se basicamente de um programa que concede uma licença renovável de instalação para uma vaga viva permanente.

Instalar no espaço público de estacionamento nas vias um espaço de convivência é uma idéia que nasceu na Califórnia como intervenção artística, chegou no Brasil em 2006, se espalhou pelo país e agora ganha contornos definitivos. São Paulo já autorizou a criação de “parklets” (nome original em inglês), Fortaleza também tem iniciativa similar e agora é a vez dos cariocas de poderem requalificar o espaço público adjacente às calçadas.

História das vagas vivas

Era preciso acordar cedo, reservar um espaço, trazer móveis, grama artificial, armar um bicicletário. Era necessário também obter uma autorização junto à prefeitura e também fazer uma política de boa vizinhança junto ao guardador de carro responsável pela área. Tudo isso para apenas um dia em que no lugar de dois ou três carros estacionados haveria um pequeno espaço de convivência.

A comparação para quem frequentava a área era sempre marcante. Ao invés de um espaço intransponível com veículos grudados uns aos outros, sem espaço para atravessar a rua, havia a possibilidade de fluxo livre e pausa para descansar.

Crianças, bicicletas e cães

Crianças, bicicletas e cães

Desafios futuros para o uso do espaço público

Quando uma iniciativa artesanal, feita por pessoas apaixonadas por uma causa vira política pública surgem alguns desafios. A criatividade torna-se mais necessária para provocar reflexão e mudança de comportamento. Além disso, o espaço para o estacionamento em via pública ainda segue em disputa. Já é cada dia mais fácil visualizar uma cidade com mais locais para pessoas, o desafio passa a ser o de reconquistar de maneira permanente espaços urbanos adequados ao fluxo, descanso e interação humanos.

Duas novas disputas estão postas. Quem instala um vaga viva permanente (ou parklet, ou parada carioca) em frente ao seu estabelecimento comercial ganha um diferencial de atração e induz uma mudança na comunidade ao redor. O ativismo com isso deixa de ser necessário no aspecto imediato, mas torna-se ainda mais urgente para catalizar mudanças permanentes.

Um manual para ocupar o espaço público

Para as cidades que ainda não tem a regulamentação para vagas vivas permanentes, é possível consultar o manual de como fazer uma vaga viva (PDF), trabalho conjunto da Transporte Ativo com o blog Quintal. Trata-se de uma adaptação para o Brasil do original em inglês.

Sigamos em frente por mais pessoas, em mais e melhores espaços públicos, mais vezes.

Saiba mais:

– Vagas vivas cariocas para lembrar… 2007, 2008 e 2012

Prefeitura do Rio cria programa Paradas Cariocas – site da prefeitura

– Espaços públicos como políticas públicas – Quintal

Prêmio Visionários à pé – Viena

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Cada jornada começa nos primeiros passos. E quem tiver as melhores idéias que promovam a mobilidade à pé nas cidades, tem até o dia 30 de abril para se inscrever no Walking Visionaries Awards (Prêmio Visionários à pé, em tradução bem livre).

Serão ao menos 30 iniciativas agraciadas com isenção de inscrição no maior encontro global de mobilidade à pé e cidades para pessoas, a conferencia Walk 21 que acontecerá em outubro de 2015 em Viena, Áustria.

As inscrições são aceitas exclusivamente através do formulário online (em inglês) e podem ser feitas nas seguintes categorias:

  • Advocacy, Campaigning and Social Projects;
  • Walking 2.0 and Future Mobility;
  • Walking and the Arts;
  • Fashion and Walking Gear;
  • Planning and Design for Liveable Public Spaces.

O vídeo promocional da conferência Walk 21 apresenta um pouco de Viena para pedestres:


Saiba mais:

Walk21 Vienna

A bicicleta no comércio do Rio de Janeiro

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A comprovação da eficiência da bicicleta pode e deve ser comprovada de todas as formas possíveis. Os veículos de carga movidos a propulsão humana são a melhor maneira de cumprir o caro e trabalhoso “último quilômetro”, expressão que resume o desafio logístico de entregar um produto até o consumidor final.

Quatro anos após o pioneiro levantamento sobre as bicicletas de carga de Copacabana, a Transporte Ativo em parceria com o ITDP e Embaixada Britânica foi a campo novamente com o mesmo propósito. Descobrir e divulgar a importância da ciclologística em nove diferentes regiões, no quilômetro quadrado mais denso dos bairros mais representativos das sete subprefeituras da cidade. Os dados propiciam informação sobre as entregas em diferentes pontos da cidade e permitem um investigação sobre os benefícios deste serviço para a cidade, o trânsito e o meio ambiente.

Os números da logística em bicicleta no Rio de Janeiro

Os números sempre nos permitem contar histórias. Descobrir por exemplo que restaurantes e lanchonetes são os estabelecimentos mais comuns, mas que as farmácias empregam a maioria dos entregadores e fazem o maior número de entregas. Além disso, mercados e distribuidores de bebidas compõem 71% da frota dos triciclos. E as estimativas de valores ajuda a vislumbrar a importância dos pedais para fazer girar a microeconomia urbana.

No total, foram 322 estabelecimentos, 628 veículos, 658 ciclistas/triciclistas que fazem 7.524 entregas/dia.

Ao definir um valor médio de R$ 20,00 por entrega, serão, R$ 150.480,00 ao dia; R$ 3.461.040,00 ao mês e R$ 41.532.480,00 ao ano. Na média as entregas abrangem um raio de 3 km. Em uma estimativa conservadora, se cada viagem dos entregadores tiver 1km entre ida e volta serão 7.524km/dia, 173.052km/ mês e 2.076.624km/ano.

Importância no presente, potencial para o futuro

Bicicleta e densidade urbana são bons pares. Nas regiões menos densas, com mais casas e um comércio disperso, entregas motorizadas costumam ser mais comuns. Já em bairros densos, com muitos prédios e comércio local, a bicicleta impera. Os impactos positivos com o atual quadro é visível, com toneladas de gases tóxicos e de CO2 que deixam de ser emitidos anualmente. Valorizar o profissional de entrega e incentivar que mais estabelecimentos utilizem esse serviço é portanto uma medida não só de eficiência e impactos locais, mas também globais.

Saiba mais:

A íntegra do estudo: A bicicleta no comércio do Rio de Janeiro

#VaiTerCiclovia, mas as ruas continuam em disputa

Cena de uma cidade com mais bicicletas nas ruas.

Cena de uma cidade com mais bicicletas nas ruas.

São Paulo sempre se mostrou locomotiva, mas é a cidade da hegemonia do motor dependente do asfalto. Aqui os trilhos estão aquém do necessário e as ruas e avenidas, 17 mil quilômetros de mobilidade perdida. A promessa, finalmente em curso, de realizar 400 mil metros de oportunidades ciclísticas sofreu um grande ataque jurídico. O planejamento cicloviário paulistano, compromisso de campanha do atual prefeito eleito e de seu adversário derrotado foi questionado na justiça.

Por mais que as críticas e os erros sejam apontados por quem pedalava, passou a pedalar ou quer pedalar, os ciclistas do Brasil e do mundo juntaram-se em uma bicicletada mundial para defender que acima de tudo, ciclovias e ciclofaixas são uma necessidade para o presente e futuro da cidade e que nenhum retrocesso pode ser tolerado na implementação de uma malha cicloviária à altura da maior megalópole da América do Sul.

A conquista por uma praça do Ciclista na cidade de São Paulo foi trabalho de poucos, mas que rendeu frutos. Um espaço perdido, que quase flutua sobre um buraco na avenida Paulista foi primeiro nomeado informalmente, depois oficializado para finalmente ser ponto de aglomeração para protestos das mais variadas frentes. Do espaço onde nasceu o cicloativismo paulistano em 29 de junho de 2002, partiu a histórica e massiva pedalada de 27 de março de 2015. E foi nesse dia que a massa crítica mostrou-se reação em cadeia. O núcleo duro, congregação informal de corações, mentes e almas pulsantes em favor da bicicleta estava presente. Amigos, velhos conhecidos, grupo de cerca de 300 pessoas que manteve e fez crescer ali, na avenida Paulista com a Consolação, uma força local e nacional, orgânica e horizontal em favor de uma paulicéia menos desvairada e mais humanizada.

Protesto com propósito claro, reivindicação coesa e revolta reativa contra as forças do retrocesso, a bicicletada de março de 2015 foi talvez a mais efetiva da história das bicicletadas. Desde 2013 mais propensos à ouvir a voz das ruas, os líderes formais constituídos atenderam à reinvindicação das ruas e enquanto ocorria a pedalada, a ação civil pública pela paralisação das obras do planejamento cicloviário paulistano foi suspensa.

Alegria, festa. Foi esse o tom depois que pipocou aos poucos a notícia de que a expansão da rede mínima de infraestrutura cicloviária em São Paulo iria continuar rumo aos 400km e além. Passaram a ser então 300 amigos, 2.000, 3.000, 5.000 ou até 7.000 pessoas em bicicleta e à pé comemorando que uma cidade mais humana continuaria a ser desenhada.

Foram os excessos da engenharia que sonhava ser capaz de equacionar a insolúvel mobilidade das carruagens motorizadas que levaram nossas cidades ao limite. A falência de Detroit, capital da motorcracia norte-americana, e os congestionamentos paulistanos diários provam que só com ações e idéias do século XXI será possível desfazer os estragos do passado.

São Paulo está pintando vias para as bicicletas com base em planos que estavam presos no papel e muita gente descobriu a bicicleta através desses novos espaços de circulação nas ruas. Foi a liberdade e o direito à cidade que levou a maior massa de pessoas em bicicleta a pedalar pela Paulista e ficou claro que quem experimenta ser livre, não volta ao cárcere passivamente.

Cada dia mais será socialmente inaceitável defender o privilégio de uma cidade em prol da mobilidade individual motorizada, mas as ruas, antes de um espaço físico, são espaço simbólico de dialógo e disputa de poder. Pela força dos números e alegria da pedalada, houve uma vitória. Ficou claro à quem acompanhou que a bicicleta não é programa de governo, com filiação partidária. Trata-se de uma construção global e coletiva, com uma organização dispersa e em rede.

Por conta dos amigos que formaram a massa crítica de ciclistas, do esforço apaixonado de quem acredita na bicicleta como ferramenta de transformação e da maturidade humana capaz de buscar novas soluções urbanas é que #VaiTerCiclovia. Numa malha cada vez mais extensa, com cada vez mais pessoas em mais bicicletas mais vezes. Com calma, fica o desafio de não se emocionar com o registro sensível de José Renato Bergo:

O Brasil que promove a bicicleta

Foto: Michelle Castilho

O grupo reunido ao final do Workshop. Foto: Michelle Castilho

Para levar a promoção ao uso da bicicleta para novos patamares, esse foi o mote do do III Workshop a Promoção da Mobilidade por Bicicletas no Brasil que aconteceu de 25-27 de março no Rio de Janeiro, e reuniu diversas organizações que promovem o uso urbano das bicicletas no país.

Ciclistas e organizações vindas de Porto Alegre até Manaus, com representantes de todas as regiões brasileiras formaram o público. O tema central do workshop foi “como atingir novos públicos” e a meta era descobrir como ampliar o debate e o conhecimento sobre os benefícios da bicicleta para além dos grupos já catequisados. Os workshops tem buscado sempre temas sempre buscam levar as iniciativas de promover a bicicleta além do senso comum. O primeiro workshop teve como tema “as relações com o poder publico”, no segundo “administração e captação de recursos”.

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André Trigueiro – Foto: Michelle Castilho

André Trigueiro e Alfredo Sirkis abriram o evento e deram a tônica do que estava por vir. Trigueiro, jornalista acostumado a lidar com diferentes temas e públicos ressaltou que as bicicletas e as iniciativas que a promovem tem se destacado nos últimos cinco anos e tem realmente feito a diferença. Já Sirkis que há décadas promove o uso das bicicletas compartilhou muito de sua vasta experiência prática e de sensibilização.

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Alfredo Sirkis – Foto: Michelle Castilho

No segundo dia, foi a vez das experiências cariocas, como a da Juliana da PET COPPE UFRJ que falou sobre mobilidade corporativa e a Clarisse Linke do ITDP que buscou mostrar caminhos a serem seguidos. Parceiro da Transporte Ativo e patrocinador do workshop, o Banco Itaú foi representado pela Simone Gallo que mostrou o que o banco tem feito em prol da bicicleta.

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Clarisse Linke – Foto: Michelle Castilho

Como grande fechamento, o sul-africano Andrew Wheeldon da Bicycle Cities conclui com maestria o terceiro dia de pedaladas do workshop.

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Andrew Wheeldon – Foto: Michelle Castilho

Cada dia mais pessoas de norte a sul do país, da academia, poder público e no ativismo tem buscado um mesmo objetivo, a humanização das cidades. O III Workshop uniu pessoas e por meio dessa força cumpriu seu papel com louvor. Agora é seguir em frente para aplicar o conhecimento adquirido pela Transporte Ativo e todos os presentes e torcer para que os resultados sejam tão impactantes como o dos workshops anteriores.

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Plá, dando a moral – Foto: Michelle Castilho

A presença ilustre e inesperada do Plá foi o encerramento perfeito para animar o fechamento e elevar a moral para seguirmos a pedalada. Juntos, no mesmo barco, ou melhor, no mesmo pedalinho, firmes no caminho rumo a cidades amigas das bicicletas e das pessoas.

Cadastre-se em nosso boletim bimestral para saber mais sobre o que temos feito e ser informado do próximo Workshop.

Um agradecimento especial precisa ser feito à Michelle Castilho responsável pelo Ciclovias Invisíveis e que fez o belo registro fotográfico que ilustra esse post.

Agradecimentos também aos parceiros Studio-X Rio por ceder espaço tão especial para a realização do evento e ao Itaú que tornou possível a realização deste workshop, assim como diversas ações pró bicicletas Brasil afora.

Veja também os workshops anteriores: 2013, 2014.

CTB de Bolso – 10ª Edição

FullSizeRenderEm 2014, o CTB bolso, campeão de downloads neste site, foi impresso por nove diferentes organizações de promoção ao uso da bicicleta, de norte a sul do país, resultando em mais de 120 mil exemplares distribuídos. O destaque ficou no Paraná, onde além da impressão feita pela Ciclo Iguaçu para distribuição durante o IIIFMB, esta mesma organização conseguiu que o DETRAN-PR imprimisse 200 mil exemplares para serem distribuídos em ações educativas e principalmente ao final dos cursos de reciclagem para motoristas infratores.

Como boas iniciativas, se prestam a ser replicadas, através de um esforço do programa Rio Estado da Bicicleta o DETRAN-RJ é o mais novo órgão a imprimir a cartilha. Com o mesmo objetivo que o DETRAN-PR, distribuição em eventos e na reciclagem de motoristas infratores. Esperamos que o livreto alcance um número ainda maior de pessoas na busca por um trânsito que compreenda melhor o ciclista, tornando nossas ruas e estradas locais mais seguros pra circularmos em nossas bicicletas.

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O CTB de Bolso Paranaense é o único com formato diferente, mas com o mesmo conteúdo.

Conheça abaixo as organizações que já imprimiram o CTB de Bolso:

Transporte Ativo – Rio de Janeiro
Pedala Manaus – Manaus
Ciclo Iguaçu – Curitiba
Salvador vai de Bike – Salvador
Mobilicidade – Juiz de Fora
ITDP Brasil
Banco Itaú
CET-Rio
Detran-PR
Detran-RJ

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